Cólica nefrítica na urgência: diagnóstico rápido, manejo da dor e exames essenciais

Como identificar a dor renal aguda, diferenciar causas e orientar a conduta imediata no pronto atendimento

24/12/2025

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A cólica nefrítica é uma das causas mais frequentes de dor abdominal intensa na urgência e representa uma emergência clínica que exige avaliação rápida, controle da dor e investigação adequada. Caracterizada por dor súbita, intensa e incapacitante, geralmente associada à litíase urinária, a condição pode gerar grande sofrimento ao paciente e confundir o diagnóstico inicial se não for corretamente reconhecida.

O que é cólica nefrítica?

A cólica nefrítica ocorre quando há obstrução aguda do trato urinário, mais comumente por cálculos renais, provocando aumento da pressão intrarrenal e espasmo ureteral. Essa combinação desencadeia uma dor intensa, geralmente descrita como uma das mais fortes da prática clínica.

Como a cólica nefrítica se manifesta na urgência

Sintomas clássicos

  • Dor lombar súbita e intensa, geralmente unilateral;

  • Irradiação para flanco, abdome inferior, virilha ou genitais;

  • Agitação e incapacidade de permanecer parado;

  • Náuseas e vômitos;

  • Sudorese;

  • Urgência urinária ou disúria.

Diferente de outras dores abdominais, o paciente com cólica renal não encontra posição de alívio.

Diagnósticos diferenciais importantes

Na urgência, a cólica nefrítica pode se confundir com outras condições graves, como:

  • apendicite aguda;

  • aneurisma de aorta abdominal;

  • pancreatite;

  • pielonefrite;

  • abdome agudo ginecológico.

Por isso, a correlação clínica, laboratorial e de imagem é fundamental.

O papel dos exames laboratoriais

Embora o diagnóstico seja principalmente clínico e radiológico, os exames laboratoriais auxiliam na avaliação de complicações:

  • Urina tipo I: hematúria microscópica é comum;

  • EAS: presença de cristais pode sugerir o tipo de cálculo;

  • Hemograma: avalia sinais de infecção;

  • Creatinina e ureia: avaliam função renal;

  • PCR: auxilia na diferenciação com processos infecciosos.

A ausência de hematúria não exclui cólica nefrítica.

Exames de imagem na urgência

  • Tomografia computadorizada sem contraste: exame de escolha;

  • Ultrassonografia: útil em gestantes, crianças ou quando a TC não está disponível;

  • Raio-X simples: limitado, mas pode identificar cálculos radiopacos.

A TC permite avaliar tamanho, localização do cálculo e grau de obstrução.

Manejo inicial na urgência

O tratamento inicial é focado em:

  • Alívio imediato da dor;

  • Controle de náuseas e vômitos;

  • Hidratação adequada;

  • Avaliação de sinais de infecção ou insuficiência renal.

Casos complicados podem exigir intervenção urológica urgente, especialmente se houver infecção associada ou obstrução completa.

Quando a cólica nefrítica se torna emergência grave

Atenção redobrada quando há:

  • febre;

  • leucocitose;

  • elevação de creatinina;

  • dor refratária;

  • rim único;

  • gestação.

Nessas situações, o risco de sepse urinária e perda de função renal é maior.

Prevenção e acompanhamento

Após a fase aguda, é fundamental:

  • identificar o tipo de cálculo;

  • investigar distúrbios metabólicos;

  • orientar hidratação adequada;

  • acompanhamento com nefrologia ou urologia.

A recorrência é comum sem medidas preventivas.

Em Síntese

A cólica nefrítica na urgência exige reconhecimento rápido, controle eficaz da dor e investigação adequada para evitar complicações. Embora seja uma condição frequente, sua condução inadequada pode resultar em infecção grave, perda de função renal e internações prolongadas.

Dor intensa não deve ser subestimada — agir rápido faz toda a diferença.

📌 Cólica nefrítica: agir rápido reduz dor e complicações

  • Procure atendimento imediato diante de dor lombar súbita e intensa.

  • Não subestime a dor: controle analgésico precoce melhora o prognóstico.

  • Realize exames essenciais (urina, função renal e imagem adequada).

  • Atenção aos sinais de gravidade (febre, creatinina elevada, rim único, gestação).

  • Após a fase aguda, investigue a causa e faça acompanhamento para prevenir recorrências.

👉 Em caso de dúvidas ou sintomas persistentes, procure seu médico.


👉 Continue se informando no Alerta Saúde para orientações baseadas em evidências.

📚 Fontes e referências

  • Ministério da Saúde (Brasil) — Protocolos de urgência e manejo da dor renal.

  • Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) — Diretrizes sobre litíase urinária.

  • European Association of Urology (EAU)Guidelines on Urolithiasis.

  • UpToDateEvaluation and management of renal colic.

  • American Urological Association (AUA)Medical management of kidney stones.

  • CLSI / ISO 15189 — Boas práticas laboratoriais e correlação clínica.

Dor súbita, intensa e que não espera — emergência renal exige ação imediata