Erro na solicitação do teste de dengue: por que ainda acontece na prática clínica?
Janela imunológica da dengue: o erro mais comum na hora de pedir o exame.
27/02/2026
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Entenda qual exame pedir em cada fase da doença e evite resultados falso-negativos
A solicitação incorreta do teste de dengue ainda é uma das falhas mais comuns na prática clínica, especialmente nos primeiros dias de sintomas. Em muitos casos, o problema não está na ausência de exame, mas na escolha inadequada do método diagnóstico conforme a fase da doença.
Essa confusão pode gerar resultados falso-negativos, atrasar condutas médicas e comprometer a segurança do paciente.
A fase da dengue determina o exame correto
A dengue apresenta diferentes marcadores laboratoriais ao longo da evolução clínica. Cada fase possui um exame mais indicado.
📌 Fase inicial (1º ao 4º dia de sintomas)
Nesse período, o vírus está circulando ativamente no sangue. O sistema imunológico ainda não produziu anticorpos detectáveis em níveis significativos.
Exames indicados:
Antígeno NS1;
RT-PCR para dengue.
🔎 Erro comum: solicitar sorologia IgM nas primeiras 24–48 horas.
Resultado provável: IgM não reagente, mesmo com infecção ativa.
📌 Fase imunológica (após o 5º dia)
A partir do quinto dia, o organismo começa a produzir anticorpos.
Exames indicados:
Sorologia IgM;
Sorologia IgG (em situações específicas).
Nesse momento, o NS1 pode já estar reduzido, e a sorologia passa a ter maior sensibilidade.
Por que a solicitação errada ainda acontece?
Alguns fatores explicam essa dificuldade na prática clínica:
Desconhecimento da janela imunológica;
Pressão por diagnóstico imediato;
Protocolos desatualizados;
Falta de integração entre clínica e laboratório;
Demora do médico auditor em autorizar o teste do antígeno NS1;
Interpretação isolada do exame, sem considerar o tempo de sintomas.
Muitas vezes, a pergunta feita é apenas:
“Qual exame pedir para dengue?”
Quando a pergunta correta deveria ser:
“Em que fase da doença o paciente está?”
O papel do hemograma na suspeita de dengue
Embora não seja diagnóstico específico, o hemograma pode fornecer pistas importantes:
Leucopenia;
Plaquetopenia;
Hemoconcentração (aumento do hematócrito).
Esses achados ajudam na avaliação da gravidade e no acompanhamento clínico, principalmente em áreas endêmicas.
Resultado negativo exclui dengue?
Depende do momento da coleta.
Um IgM não reagente nas primeiras 48 horas não exclui dengue;
Um NS1 negativo após o 6º dia também pode não descartar o diagnóstico.
A interpretação sempre deve considerar:
Tempo de evolução dos sintomas;
Quadro clínico;
Epidemiologia local;
Exames complementares.
Integração clínica e laboratorial: a chave do diagnóstico seguro
O diagnóstico correto da dengue não depende apenas do exame solicitado, mas da correlação entre:
Clínica;
Fase da doença;
Escolha adequada do método diagnóstico;
Interpretação técnica do resultado.
Quando há alinhamento entre médico e laboratório, o risco de erro reduz significativamente.
Em Síntese
A maior causa de erro na solicitação do teste de dengue não é falta de exame — é falta de contexto clínico.
A fase da doença define o marcador detectável.
Ignorar essa dinâmica pode levar a falso-negativo, atraso terapêutico e insegurança diagnóstica.
Antes de solicitar o exame, a pergunta essencial é:
“Quantos dias de sintomas o paciente tem?”
Essa simples informação muda completamente a escolha do teste.
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📚 Fontes
Ministério da Saúde (Brasil). Guia de Vigilância em Saúde – Dengue. Brasília: MS.
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Diretrizes para diagnóstico laboratorial da dengue.
Organização Mundial da Saúde (OMS). Dengue: guidelines for diagnosis, treatment, prevention and control.
CDC – Centers for Disease Control and Prevention. Dengue Clinical Guidance.
ANVISA – Notas técnicas sobre diagnóstico laboratorial de arboviroses.

