Faringite aguda: causas, sintomas, diagnóstico e quando a dor de garganta precisa de atendimento médico

Dor ao engolir, febre e garganta inflamada são sintomas comuns da faringite aguda. Entenda quando o quadro pode ser viral, quando há suspeita de infecção bacteriana e por que antibióticos nem sempre são necessários.

12/09/2026

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Acordar com a garganta ardendo, sentir dor para engolir e perceber que até beber água ficou desconfortável é uma situação bastante comum. Na maioria das vezes, esses sintomas estão relacionados à faringite aguda, uma inflamação da faringe que pode ter diferentes causas.

Embora muita gente associe garganta inflamada imediatamente à necessidade de antibiótico, a realidade é diferente. A maioria dos episódios de faringite é causada por vírus, enquanto apenas uma parcela está relacionada a bactérias, principalmente o Streptococcus pyogenes, também chamado de estreptococo do grupo A.

Saber reconhecer essa diferença é importante não apenas para escolher o tratamento adequado, mas também para evitar o uso desnecessário de antibióticos.

O que é faringite aguda?

A faringite aguda é uma inflamação da faringe, região localizada no fundo da garganta. Ela frequentemente ocorre junto com inflamação das amígdalas, situação que também pode ser chamada de faringoamigdalite.

O quadro costuma durar poucos dias e pode atingir pessoas de qualquer idade.

Entre as possíveis causas estão vírus respiratórios e diferentes bactérias. Entre as causas bacterianas, uma das mais importantes é o estreptococo beta-hemolítico do grupo A, o Streptococcus pyogenes.

Faringite viral ou bacteriana: qual é a diferença?

Essa é uma das principais dúvidas de quem chega ao atendimento com dor de garganta.

As infecções virais são responsáveis pela maior parte dos casos. Tosse, coriza, rouquidão, conjuntivite e úlceras na boca favorecem uma causa viral.

Já a faringite causada pelo estreptococo do grupo A pode apresentar início mais súbito, febre, dor intensa ao engolir, vermelhidão da garganta, aumento das amígdalas, presença ou não de exsudato e aumento doloroso dos linfonodos cervicais anteriores.

Em crianças, também podem ocorrer dor abdominal, náuseas, vômitos e dor de cabeça.

Um ponto importante é que placas brancas ou pus nas amígdalas, isoladamente, não são suficientes para afirmar que a infecção é bacteriana.

Toda garganta com placas precisa de antibiótico?

Não.

Esse é um dos mitos mais comuns relacionados à dor de garganta. A aparência da garganta ajuda na avaliação, mas não deve ser interpretada isoladamente.

Na ausência de sintomas claramente virais, somente o exame clínico pode não ser suficiente para diferenciar uma infecção viral de uma faringite causada pelo estreptococo do grupo A.

Por isso, dependendo do caso, o profissional de saúde pode considerar testes específicos antes de indicar antibióticos.

Quais são os principais sintomas da faringite aguda?

Os sintomas variam de acordo com a causa e com cada paciente, mas podem incluir:

  • dor ou ardência na garganta;

  • dor ou dificuldade para engolir;

  • vermelhidão da garganta;

  • febre;

  • aumento das amígdalas;

  • placas ou exsudato nas amígdalas;

  • linfonodos aumentados no pescoço;

  • mal-estar;

  • dor de cabeça;

  • tosse e coriza, principalmente em quadros virais.

Na faringite estreptocócica, a dor de garganta frequentemente aparece de maneira súbita e pode ser acompanhada por febre e dor ao engolir.

O que é faringite estreptocócica?

É a infecção da faringe causada pelo Streptococcus pyogenes.

Ela merece atenção porque, além dos sintomas locais, pode estar associada a complicações.

Segundo o CDC, o estreptococo do grupo A responde aproximadamente por 20% a 30% dos episódios de faringite em crianças e por 5% a 15% dos casos em adultos. A doença é especialmente frequente entre crianças de 5 a 15 anos.

Portanto, mesmo quando a garganta está muito inflamada, ainda é importante lembrar que a maior parte das dores de garganta não é causada pelo estreptococo.

Como saber se a faringite é bacteriana?

A avaliação começa pela história clínica e pelo exame físico.

Características como febre, ausência de tosse, alterações nas amígdalas e aumento de determinados linfonodos podem aumentar a suspeita de infecção estreptocócica.

Diretrizes atualizadas da Infectious Diseases Society of America, IDSA, recomendam o uso de escores clínicos para ajudar a identificar quais pacientes podem se beneficiar da investigação para estreptococo do grupo A. Esses sistemas são particularmente úteis para reconhecer pessoas com baixa probabilidade da infecção, evitando exames e tratamentos desnecessários.

Entretanto, o escore clínico não substitui automaticamente os exames quando existe indicação de investigação.

Quais exames podem diagnosticar faringite estreptocócica?

Quando existe suspeita de infecção pelo estreptococo do grupo A, podem ser utilizados principalmente:

Teste rápido para estreptococo

O teste rápido de detecção de antígeno pode identificar componentes do estreptococo diretamente a partir de uma amostra coletada da garganta.

Sua principal vantagem é a rapidez do resultado.

Cultura de orofaringe

A cultura permite pesquisar o crescimento do microrganismo presente na amostra. Para o CDC, a cultura de garganta permanece como padrão de referência para o diagnóstico da faringite estreptocócica.

Em crianças sintomáticas com 3 anos ou mais, um teste rápido negativo deve, segundo a orientação do CDC, ser confirmado por cultura de garganta. Essa confirmação não é rotineiramente recomendada para adultos após um teste rápido negativo.

Como é feita a coleta?

A amostra é geralmente obtida com um swab estéril passado na região das amígdalas e na parede posterior da faringe.

A qualidade da coleta é importante. Uma amostra inadequada pode prejudicar a capacidade do exame de identificar o agente infeccioso.

Depois da coleta, o material segue para o método diagnóstico solicitado, que pode ser o teste rápido ou a cultura microbiológica.

Hemograma e PCR diagnosticam faringite bacteriana?

Não de forma isolada.

Hemograma, proteína C reativa, PCR, e outros marcadores laboratoriais podem mostrar alterações relacionadas à resposta inflamatória, dependendo do quadro clínico. Porém, eles não identificam especificamente o Streptococcus pyogenes como causa da faringite.

Uma leucocitose, por exemplo, não significa automaticamente que a dor de garganta é bacteriana.

O resultado laboratorial precisa ser interpretado junto com sintomas, exame físico e, quando indicado, testes microbiológicos específicos.

Faringite aguda precisa de antibiótico?

Nem sempre.

Faringite viral não deve ser tratada com antibióticos.

Quando a infecção pelo estreptococo do grupo A é confirmada, o tratamento com antibióticos é indicado. Além de reduzir a duração dos sintomas, o tratamento adequado diminui a transmissão e reduz o risco de determinadas complicações.

A escolha do medicamento, dose e duração depende da avaliação médica, idade, peso, alergias e outras condições individuais.

Tomar antibiótico por conta própria pode causar efeitos adversos e contribui para um dos grandes problemas atuais da saúde pública: a resistência antimicrobiana.

Por que a faringite estreptocócica merece atenção?

Uma infecção estreptocócica não tratada adequadamente pode, em alguns pacientes, evoluir com complicações.

Entre elas estão abscesso peritonsilar, outras infecções locais e complicações imunológicas, como a febre reumática aguda.

É justamente por isso que o objetivo não deve ser dar antibiótico para toda pessoa com dor de garganta. O objetivo é identificar corretamente quem realmente apresenta uma infecção bacteriana que necessita desse tratamento.

Faringite é contagiosa?

Sim, dependendo da causa.

Vírus respiratórios e o estreptococo podem ser transmitidos principalmente pelo contato com secreções respiratórias e pela proximidade com uma pessoa infectada.

Ambientes com contato próximo, como escolas e creches, favorecem a transmissão do estreptococo. O contato domiciliar com alguém diagnosticado também aumenta o risco.

Higienizar as mãos, evitar compartilhar copos e utensílios e manter cuidados ao tossir ou espirrar ajudam a diminuir a transmissão de infecções respiratórias.

Quando a faringite precisa de atendimento médico?

Uma dor de garganta leve associada a sintomas de resfriado muitas vezes melhora espontaneamente. Entretanto, alguns sinais merecem avaliação médica.

Procure atendimento principalmente diante de:

  • dificuldade importante para respirar;

  • dificuldade intensa ou incapacidade de engolir;

  • dificuldade para engolir a própria saliva;

  • sinais de desidratação;

  • piora progressiva do estado geral;

  • febre persistente ou elevada;

  • inchaço importante no pescoço;

  • dificuldade para abrir a boca;

  • voz muito alterada ou abafada;

  • dor muito intensa, especialmente quando predomina de um lado;

  • sintomas que pioram em vez de melhorar.

Esses sinais podem indicar que não se trata apenas de uma inflamação simples da garganta e precisam ser avaliados.

Crianças precisam de atenção especial?

Sim.

A faringite estreptocócica ocorre principalmente entre 5 e 15 anos e é rara em crianças menores de 3 anos.

Nas crianças, alguns sintomas também podem ser menos óbvios. Dor abdominal, náuseas, vômitos e cefaleia podem acompanhar a infecção estreptocócica.

Além disso, a investigação diagnóstica possui particularidades nessa faixa etária. Por isso, dor de garganta importante acompanhada de febre ou alteração significativa do estado geral deve ser avaliada pelo pediatra.

O que fazer enquanto a garganta está inflamada?

Medidas simples podem ajudar no conforto durante a recuperação, como manter boa hidratação, descansar e evitar substâncias que irritem a garganta, especialmente fumaça.

Analgésicos ou antitérmicos podem ser utilizados quando indicados por profissional de saúde e de acordo com as características individuais do paciente.

O mais importante é evitar a automedicação com antibióticos.

Faringite aguda: nem toda dor de garganta é igual

A dor de garganta parece um sintoma simples, mas pode ter diferentes causas.

Na maioria das vezes, a faringite aguda é viral e melhora sem antibióticos. Em outros casos, principalmente diante da infecção pelo Streptococcus pyogenes, a investigação e o tratamento adequados são importantes para controlar os sintomas, diminuir a transmissão e reduzir o risco de complicações.

A aparência da garganta sozinha não conta toda a história.

Sintomas, avaliação clínica e exames específicos, quando indicados, ajudam a chegar ao diagnóstico correto.

Está com dor de garganta, febre ou dificuldade para engolir?

Evite tomar antibióticos por conta própria. Procure avaliação médica quando os sintomas forem intensos, persistentes ou acompanhados de sinais de alerta.

Continue acompanhando o Alerta Saúde para entender seus sintomas, exames laboratoriais e os sinais que indicam quando é hora de procurar atendimento.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por profissional de saúde.

Fontes

Centers for Disease Control and Prevention, CDC. Clinical Guidance for Group A Streptococcal Pharyngitis. Atualizado em novembro de 2025.

Centers for Disease Control and Prevention, CDC. About Strep Throat. Atualizado em janeiro de 2026.

Infectious Diseases Society of America, IDSA. Clinical Practice Guideline Update on Group A Streptococcal Pharyngitis. Publicada em outubro de 2025.

Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Doenças Respiratórias Crônicas. Seção sobre faringite estreptocócica.

Avaliação da garganta ajuda a identificar sinais de faringite e definir quando exames complementares podem ser necessários