Gordura no fígado: o excesso de açúcar e carboidratos refinados pode ser o verdadeiro vilão

Muitas pessoas evitam frituras, mas continuam desenvolvendo esteatose hepática. Entenda como açúcar, refrigerantes e farinhas refinadas influenciam o acúmulo de gordura no fígado e o que fazer para prevenir.

30/07/2026

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A expressão "gordura no fígado" costuma levar muitas pessoas a acreditar que o problema é causado apenas pelo consumo exagerado de alimentos gordurosos. Porém, essa ideia está incompleta.

A ciência mostra que o desenvolvimento da esteatose hepática, nome técnico da gordura no fígado, está muito mais relacionado ao excesso de calorias, especialmente provenientes de açúcares e carboidratos refinados, do que simplesmente à gordura presente nos alimentos.

O que é gordura no fígado?

A esteatose hepática ocorre quando a gordura passa a ocupar mais de 5% do volume do fígado. Inicialmente, o quadro costuma ser silencioso, sem sintomas, sendo descoberto apenas durante exames de rotina.

Quando não tratada, a doença pode evoluir para:

  • inflamação do fígado (esteato-hepatite);

  • fibrose;

  • cirrose;

  • aumento do risco de câncer hepático.

Por que o açúcar favorece a gordura no fígado?

Sempre que consumimos grandes quantidades de açúcar, refrigerantes, doces e alimentos feitos com farinha branca, o organismo recebe mais energia do que precisa naquele momento.

Esse excesso é convertido pelo fígado em triglicerídeos através de um processo chamado lipogênese de novo. Esses triglicerídeos passam a se acumular dentro das células hepáticas.

Em outras palavras:

Você pode comer pouca gordura, mas, se exagerar em açúcar e carboidratos refinados, seu próprio organismo produzirá gordura dentro do fígado.

Os principais alimentos associados ao problema

Os alimentos que mais favorecem o desenvolvimento da esteatose incluem:

  • refrigerantes;

  • bebidas adoçadas;

  • doces;

  • bolos;

  • biscoitos recheados;

  • pão branco;

  • massas refinadas;

  • alimentos ultraprocessados;

  • excesso de bebidas alcoólicas.

Isso não significa que um único alimento seja responsável pela doença, mas sim o consumo frequente e em grandes quantidades associado ao sedentarismo e ao excesso de peso.

Quem corre maior risco?

A gordura no fígado é mais frequente em pessoas com:

  • obesidade;

  • sobrepeso;

  • diabetes tipo 2;

  • resistência à insulina;

  • colesterol e triglicerídeos elevados;

  • sedentarismo;

  • síndrome metabólica.

No entanto, pessoas com peso normal também podem desenvolver esteatose quando mantêm hábitos alimentares inadequados.

Existem sintomas?

Na maioria dos casos, não.

Quando aparecem, podem incluir:

  • desconforto no lado direito do abdome;

  • sensação de peso;

  • cansaço;

  • fadiga.

Nos estágios iniciais, muitos pacientes permanecem completamente assintomáticos.

Como é feito o diagnóstico?

O médico pode solicitar exames como:

  • ultrassonografia abdominal;

  • elastografia hepática, em alguns casos;

  • exames laboratoriais para avaliar enzimas hepáticas, como ALT (TGP) e AST (TGO);

  • avaliação clínica dos fatores de risco.

O diagnóstico definitivo depende da avaliação médica, pois exames laboratoriais podem permanecer normais mesmo na presença de esteatose.

A gordura no fígado pode regredir?

Sim.

Na maioria dos pacientes, mudanças no estilo de vida são capazes de reduzir significativamente a gordura acumulada no órgão.

As principais recomendações incluem:

  • reduzir bebidas açucaradas;

  • diminuir doces e farinhas refinadas;

  • priorizar verduras, legumes, frutas inteiras e proteínas magras;

  • praticar atividade física regularmente;

  • perder peso quando houver excesso;

  • controlar diabetes, colesterol e triglicerídeos.

Até o momento, não existem chás ou receitas naturais com eficácia comprovada para "limpar" o fígado. O tratamento é baseado principalmente na mudança dos hábitos de vida.

O papel da prevenção

A esteatose hepática tornou-se uma das doenças do fígado mais comuns no mundo, acompanhando o aumento da obesidade e do consumo de alimentos ultraprocessados.

Reduzir o consumo de açúcar, controlar o peso corporal e manter uma rotina ativa continua sendo a estratégia mais eficaz para proteger o fígado e prevenir complicações futuras.

Em Síntese

A gordura no fígado não depende apenas da quantidade de gordura ingerida. Em muitos casos, o maior problema está no excesso de açúcar, refrigerantes, doces e carboidratos refinados, que levam o próprio fígado a fabricar gordura.

Adotar uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos e realizar exames periódicos são medidas fundamentais para prevenir a doença e preservar a saúde hepática.

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Fontes

  • Minha Vida. "A gordura do fígado não vem da gordura da comida": entenda o que é que você come que pode te levar a esse problema.

  • Veja Saúde. "Dá para limpar a gordura no fígado de formas naturais? Veja o que diz a ciência."

  • UOL VivaBem. "O que comer para ajudar a reverter a gordura no fígado."

  • BOL Saúde. "Gordura no fígado: o que comer para ajudar a reverter."

Nem sempre a gordura no fígado vem da gordura da alimentação. Em muitos casos, o excesso de açúcar e carboidratos refinados é o principal responsável pelo problema