Imunoterapia reduz em 71% o risco de progressão do mieloma múltiplo: estudo internacional traz esperança para pacientes
Pesquisa realizada em 24 países mostra que o teclistamabe aumentou a sobrevida e reduziu significativamente o avanço da doença em pacientes com mieloma múltiplo já tratados anteriormente.
04/06/2026
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Uma nova pesquisa internacional trouxe resultados animadores para pacientes com mieloma múltiplo, um tipo de câncer que afeta as células plasmáticas da medula óssea. O estudo demonstrou que uma imunoterapia chamada teclistamabe reduziu em 71% o risco de progressão da doença ou morte em comparação aos tratamentos considerados padrão atualmente.
Os resultados foram publicados no tradicional New England Journal of Medicine (NEJM) e envolveram 593 pacientes acompanhados em 162 centros distribuídos por 24 países, incluindo o Brasil. O trabalho é considerado um dos avanços mais importantes dos últimos anos no tratamento do mieloma múltiplo recidivado ou refratário.
O que é o mieloma múltiplo?
O mieloma múltiplo é um câncer hematológico que se desenvolve nas células plasmáticas da medula óssea, responsáveis pela produção de anticorpos. Quando essas células sofrem alterações malignas, passam a se multiplicar de forma descontrolada.
A doença pode provocar sintomas como:
Dor óssea persistente;
Anemia;
Infecções recorrentes;
Insuficiência renal;
Fraturas ósseas;
Fadiga intensa.
Embora os tratamentos tenham evoluído bastante nas últimas décadas, as recaídas continuam sendo um grande desafio para médicos e pacientes.
Como funciona a nova imunoterapia?
O medicamento estudado, chamado teclistamabe, pertence à classe dos anticorpos biespecíficos.
Essas moléculas funcionam como uma espécie de "ponte biológica", aproximando as células de defesa do organismo das células cancerígenas. O medicamento se liga simultaneamente à proteína BCMA, presente nas células do mieloma, e aos linfócitos T, responsáveis pela resposta imunológica.
Com isso, o sistema imunológico passa a reconhecer e destruir as células tumorais com maior eficiência.
O que mostrou o estudo?
Os pesquisadores avaliaram pacientes que já haviam recebido entre uma e três linhas de tratamento anteriores.
Após um acompanhamento médio de 17,3 meses, os resultados chamaram a atenção:
Sobrevida livre de progressão em 18 meses: 69,8% no grupo tratado com teclistamabe.
Sobrevida livre de progressão em 18 meses no grupo controle: 26,9%.
Sobrevida global após 18 meses: 79,2% no grupo da imunoterapia.
Sobrevida global após 18 meses: 68,6% no grupo dos tratamentos convencionais.
Na prática, isso representou uma redução de 71% no risco de progressão da doença ou morte.
O que muda para os pacientes?
Até recentemente, terapias como o teclistamabe eram reservadas principalmente para pacientes que já haviam passado por várias linhas de tratamento.
Os novos resultados indicam que utilizar essa estratégia mais precocemente pode gerar benefícios ainda maiores, aumentando as chances de controle prolongado da doença e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
Especialistas acreditam que os dados poderão influenciar futuras diretrizes internacionais para o tratamento do mieloma múltiplo.
O medicamento já está disponível no Brasil?
Sim. O teclistamabe já possui aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em pacientes com mieloma múltiplo dentro das indicações aprovadas. Entretanto, a disponibilidade pode variar conforme a instituição de saúde, cobertura dos planos e protocolos clínicos adotados.
A importância do diagnóstico precoce
Apesar dos avanços terapêuticos, o diagnóstico precoce continua sendo fundamental para melhorar os resultados do tratamento.
Sintomas persistentes como dores ósseas sem causa aparente, anemia inexplicada, infecções frequentes e alterações renais devem ser investigados por um profissional de saúde.
Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores podem ser as possibilidades de controle e acompanhamento adequado.
Em Síntese
A redução de 71% no risco de progressão observada com o teclistamabe representa um marco importante na luta contra o mieloma múltiplo. O estudo reforça o papel crescente da imunoterapia no tratamento dos cânceres hematológicos e abre caminho para estratégias mais eficazes e personalizadas.
Embora ainda não exista cura definitiva para a maioria dos casos, os avanços científicos continuam ampliando as perspectivas de sobrevida e qualidade de vida para milhares de pacientes em todo o mundo.
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Fontes
New England Journal of Medicine (NEJM)
A.C.Camargo Cancer Center
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
International Myeloma Foundation (IMF)
CNN Brasil Saúde
Observatório de Oncologia
Reportagem original publicada pelo G1 em junho de 2026.

