Policitemia Vera: sintomas, causas, diagnóstico e tratamento da doença que aumenta a produção de células do sangue

Entenda o que é a policitemia vera, quais são os sinais de alerta, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos ajudam a reduzir o risco de complicações.

04/08/2026

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A policitemia vera é uma doença rara da medula óssea caracterizada pela produção excessiva de células do sangue, principalmente hemácias (glóbulos vermelhos). Esse aumento torna o sangue mais espesso, dificultando sua circulação e elevando o risco de tromboses, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações cardiovasculares.

Embora seja considerada um tipo de câncer hematológico de evolução lenta, muitas pessoas convivem com a doença por anos quando recebem acompanhamento adequado e iniciam o tratamento precocemente.

Neste artigo você entenderá o que é a policitemia vera, quais são seus sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis.

O que é policitemia vera?

A policitemia vera pertence ao grupo das neoplasias mieloproliferativas, doenças em que a medula óssea passa a produzir células sanguíneas de forma descontrolada.

Na maioria dos casos, a doença está relacionada à mutação do gene JAK2, presente em aproximadamente 95% dos pacientes. Essa alteração faz com que a medula produza hemácias mesmo sem necessidade do organismo.

Além das hemácias, alguns pacientes também apresentam aumento dos leucócitos e das plaquetas.

Quais são os sintomas?

Os sintomas podem surgir lentamente e, em alguns casos, a doença é descoberta apenas durante exames de rotina.

Os sinais mais comuns incluem:

  • Dor de cabeça frequente.

  • Tontura.

  • Cansaço.

  • Visão embaçada.

  • Vermelhidão no rosto.

  • Coceira intensa após banho quente.

  • Sensação de queimação nas mãos e nos pés.

  • Formigamentos.

  • Sangramentos pelo nariz ou gengivas.

  • Aumento do baço.

Em situações mais graves, podem ocorrer:

  • Trombose venosa.

  • AVC.

  • Infarto.

  • Embolia pulmonar.

Quem tem maior risco?

A policitemia vera pode acometer adultos de qualquer idade, mas é mais frequente:

  • Após os 60 anos.

  • Em homens, embora mulheres também possam desenvolver a doença.

  • Em pessoas com mutação adquirida no gene JAK2.

A doença não costuma ser hereditária.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico depende da avaliação clínica e de exames laboratoriais.

Entre os principais exames estão:

Hemograma

Normalmente apresenta:

  • Hemoglobina elevada.

  • Hematócrito elevado.

  • Aumento do número de hemácias.

  • Em alguns casos, aumento de leucócitos e plaquetas.

Eritropoetina (EPO)

Geralmente apresenta níveis reduzidos.

Pesquisa da mutação JAK2

É um dos exames mais importantes para confirmar a doença.

Biópsia da medula óssea

Pode ser necessária para confirmar o diagnóstico e diferenciar de outras doenças hematológicas.

Qual a diferença entre policitemia vera e policitemia secundária?

Essa é uma dúvida muito comum.

Na policitemia vera, a produção aumentada de hemácias acontece por uma alteração da medula óssea.

Já na policitemia secundária, o organismo produz mais hemácias em resposta à falta de oxigênio ou ao aumento da eritropoetina, podendo ocorrer em situações como:

  • Tabagismo.

  • Apneia do sono.

  • Doenças pulmonares.

  • Permanência em grandes altitudes.

  • Alguns tumores produtores de eritropoetina.

O tratamento depende da causa.

Como é o tratamento?

O objetivo do tratamento é reduzir a viscosidade do sangue e diminuir o risco de trombose.

As principais opções incluem:

Flebotomia

Consiste na retirada periódica de sangue para reduzir o hematócrito.

É um dos tratamentos mais utilizados.

Ácido acetilsalicílico (AAS)

Em baixas doses, ajuda a reduzir o risco de formação de coágulos quando indicado pelo médico.

Medicamentos citorredutores

Pacientes de maior risco podem necessitar de medicamentos como:

  • Hidroxiureia.

  • Interferon peguilado.

  • Ruxolitinibe, em situações específicas.

A escolha depende da idade, histórico de trombose e características individuais do paciente.

Quais complicações podem ocorrer?

Sem tratamento adequado, a policitemia vera pode causar:

  • AVC.

  • Infarto do miocárdio.

  • Trombose venosa profunda.

  • Embolia pulmonar.

  • Sangramentos.

  • Aumento importante do baço.

  • Evolução para mielofibrose.

  • Em casos raros, transformação para leucemia aguda.

Por isso, o acompanhamento com um hematologista é fundamental.

É possível viver bem com policitemia vera?

Sim.

Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento regular, muitos pacientes apresentam boa qualidade de vida durante décadas.

O controle dos fatores de risco cardiovasculares, abandono do cigarro, prática de atividade física e seguimento médico ajudam a reduzir significativamente as complicações.

Quando procurar atendimento médico?

Procure avaliação médica caso apresente:

  • Hematócrito persistentemente elevado.

  • Hemoglobina muito acima do valor de referência.

  • Episódios repetidos de trombose.

  • Coceira intensa após banho quente.

  • Vermelhidão persistente da pele.

  • Dor de cabeça frequente sem causa aparente.

Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de controlar a doença e evitar complicações graves.

Em Síntese

A policitemia vera é uma doença hematológica rara, mas potencialmente grave quando não tratada. O aumento da produção de células sanguíneas torna o sangue mais espesso e favorece eventos trombóticos que podem colocar a vida em risco.

Felizmente, exames laboratoriais, testes genéticos e acompanhamento especializado permitem o diagnóstico precoce e um tratamento eficaz, proporcionando qualidade de vida e redução significativa das complicações.

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Fontes

  • Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia

  • World Health Organization

  • National Comprehensive Cancer Network

  • National Cancer Institute

  • Leukemia & Lymphoma Society

A policitemia vera é uma doença rara que aumenta a produção de células sanguíneas e pode elevar o risco de trombose quando não tratada