Por que algumas pessoas continuam com problemas respiratórios mesmo usando máscara?

Entenda por que a máscara nem sempre impede crises respiratórias e quando é importante investigar a causa dos sintomas

06/08/2026

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Desde a pandemia de COVID-19, o uso de máscaras passou a fazer parte da rotina de milhões de pessoas. Embora elas sejam eficazes para reduzir a transmissão de vírus respiratórios e diminuir a exposição a partículas presentes no ambiente, muitas pessoas continuam apresentando falta de ar, tosse, chiado no peito, congestão nasal e crises alérgicas mesmo utilizando máscaras regularmente.

A explicação está no fato de que os problemas respiratórios possuem diversas causas, e nem todas podem ser evitadas apenas com o uso desse equipamento de proteção.

Neste artigo, você vai entender por que isso acontece, quais doenças podem estar envolvidas e quando é hora de procurar avaliação médica.

A máscara protege, mas não elimina todos os riscos

As máscaras funcionam como uma barreira física contra gotículas respiratórias, aerossóis e parte das partículas suspensas no ar. Modelos como as PFF2 e N95 oferecem maior capacidade de filtração quando utilizados corretamente.

Entretanto, nenhuma máscara consegue bloquear completamente todos os agentes presentes no ambiente ou impedir doenças causadas por fatores internos do organismo.

Além disso, a eficácia depende de diversos fatores, como:

  • Tipo de máscara utilizada.

  • Ajuste adequado ao rosto.

  • Tempo de uso.

  • Condições de conservação.

  • Umidade acumulada durante o uso.

Problemas respiratórios têm muitas causas

Persistir com sintomas respiratórios usando máscara não significa que a máscara "não funciona". Muitas vezes, ela apenas não interfere na origem do problema.

Entre as causas mais frequentes estão:

Asma

A asma provoca inflamação crônica das vias aéreas e pode causar:

  • falta de ar;

  • chiado no peito;

  • tosse persistente;

  • sensação de aperto torácico.

Crises podem ocorrer mesmo com uso de máscara, principalmente diante de mudanças climáticas, infecções virais, exercícios físicos ou exposição a alérgenos.

Rinite alérgica

Quem sofre de rinite pode apresentar sintomas provocados por:

  • ácaros;

  • mofo;

  • pelos de animais;

  • pó doméstico.

Embora algumas máscaras reduzam a inalação dessas partículas, elas não eliminam totalmente a exposição.

Sinusite

Infecções ou inflamações dos seios da face podem causar:

  • congestão nasal;

  • dor facial;

  • secreção;

  • sensação de dificuldade para respirar.

Nesses casos, a máscara não interfere na evolução da doença.

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)

Pacientes com DPOC apresentam limitação crônica da passagem de ar devido ao enfisema pulmonar ou bronquite crônica.

Mesmo utilizando máscara, continuam apresentando sintomas porque a origem do problema está no comprometimento do pulmão.

Infecções respiratórias

Alguns vírus e bactérias conseguem ser transmitidos mesmo quando a proteção não é utilizada corretamente ou quando há exposição intensa.

Além disso, nenhuma máscara oferece proteção absoluta.

Poluição do ar

Em cidades com altos níveis de poluição, fumaça ou queimadas, muitas partículas ultrafinas conseguem permanecer suspensas no ambiente.

Máscaras comuns apresentam baixa eficiência para esse tipo de poluente.

Refluxo gastroesofágico

Pouca gente associa refluxo aos problemas respiratórios.

O retorno do ácido do estômago pode provocar:

  • tosse crônica;

  • rouquidão;

  • irritação da garganta;

  • sensação de falta de ar.

Nesse caso, a máscara não modifica a causa do sintoma.

Ansiedade também pode causar falta de ar

Em algumas pessoas, crises de ansiedade provocam hiperventilação, sensação de sufocamento e dificuldade para respirar.

Mesmo usando máscara, esses sintomas podem continuar presentes porque sua origem não está no pulmão.

A máscara pode causar desconforto?

Algumas pessoas relatam sensação de calor, abafamento e dificuldade para respirar durante o uso prolongado.

Na maioria dos casos, isso ocorre por desconforto térmico ou percepção aumentada da respiração, e não por redução significativa dos níveis de oxigênio em indivíduos saudáveis.

Pessoas com doenças respiratórias importantes devem seguir as orientações do médico sobre o modelo de máscara mais adequado para cada situação.

Quando procurar atendimento médico?

É importante procurar avaliação médica quando houver:

  • falta de ar persistente;

  • chiado frequente;

  • tosse por mais de três semanas;

  • dor no peito;

  • febre associada;

  • sangue no escarro;

  • piora progressiva da respiração;

  • redução importante da capacidade física.

O diagnóstico correto depende da avaliação clínica e, quando necessário, de exames complementares como radiografia de tórax, tomografia computadorizada, espirometria, oximetria e exames laboratoriais.

Como reduzir problemas respiratórios?

Algumas medidas ajudam a diminuir os sintomas:

  • manter a vacinação em dia;

  • controlar doenças como asma e rinite;

  • evitar fumaça de cigarro;

  • manter os ambientes limpos e ventilados;

  • hidratar-se adequadamente;

  • utilizar máscaras de boa qualidade quando indicado;

  • procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes.

Em Síntese

O uso de máscara continua sendo uma importante medida de proteção em diversas situações, especialmente durante surtos de doenças respiratórias ou em ambientes com maior risco de transmissão. No entanto, ela não impede todas as causas de problemas respiratórios.

Quando os sintomas persistem, é fundamental investigar a origem do quadro. Doenças alérgicas, asma, infecções, alterações pulmonares e até condições como refluxo e ansiedade podem estar por trás da dificuldade para respirar.

Um diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Está com falta de ar, tosse persistente ou outros sintomas respiratórios?

Não ignore os sinais do seu corpo. Procure um médico para uma avaliação completa e siga corretamente as orientações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento. Compartilhe este artigo para ajudar mais pessoas a entenderem que nem todo problema respiratório é resolvido apenas com o uso de máscara.

Fontes

  • Organização Mundial da Saúde (OMS)

  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC)

  • Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT)

  • Ministério da Saúde

  • Global Initiative for Asthma

  • Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease

Usar máscara pode reduzir a exposição a partículas e microrganismos, mas nem sempre elimina a causa dos problemas respiratórios