Setembro Verde: entenda a importância da doação de órgãos e tecidos e como ser um doador
Campanha reforça a importância de conversar com a família sobre a decisão de doar e mostra como um único gesto pode transformar a vida de várias pessoas
02/09/2026
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O que é o Setembro Verde?
O Setembro Verde é uma campanha de conscientização que busca ampliar o conhecimento da população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos.
Mais do que incentivar as pessoas a dizerem que desejam ser doadoras, a campanha procura combater dúvidas, medos e informações incorretas que podem interferir na decisão das famílias.
O assunto ganha destaque especialmente em torno do dia 27 de setembro, Dia Nacional da Doação de Órgãos.
O objetivo é simples, mas extremamente importante: fazer as pessoas conversarem sobre doação antes que uma família precise tomar essa decisão em um momento de dor.
Por que a doação de órgãos é tão importante?
Para muitos pacientes com doenças graves e irreversíveis, o transplante representa uma possibilidade de sobrevivência ou de recuperação significativa da qualidade de vida.
O Brasil possui uma ampla estrutura pública destinada aos transplantes. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 95% dos transplantes realizados no país são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento inclui etapas como exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos após o transplante.
Ainda assim, existe uma questão que nenhuma tecnologia médica consegue resolver sozinha: é preciso haver doadores.
É justamente por isso que a conscientização da população continua sendo fundamental.
Quais órgãos e tecidos podem ser doados?
Dependendo das condições clínicas do doador e das circunstâncias da doação, diferentes órgãos e tecidos podem ser utilizados para transplantes.
Entre eles estão:
coração;
pulmões;
fígado;
rins;
pâncreas;
córneas;
pele;
ossos;
cartilagens;
válvulas cardíacas.
Algumas doações também podem ocorrer em vida. É possível, por exemplo, doar um dos rins e, em situações específicas e criteriosamente avaliadas, partes do fígado ou do pulmão. A legislação brasileira estabelece condições para que a doação em vida não represente grave comprometimento à saúde do doador.
Quem pode ser doador de órgãos?
Não existe uma resposta baseada apenas na idade ou na percepção de que determinada pessoa seria ou não um "bom doador".
A possibilidade de utilização de cada órgão ou tecido depende de avaliação médica, das condições clínicas, da causa da morte e de outros critérios técnicos.
Por isso, uma pessoa não deve simplesmente concluir que não pode ser doadora por ser idosa ou possuir determinada condição de saúde. A avaliação de quais órgãos e tecidos podem ser aproveitados cabe às equipes responsáveis pelo processo de doação e transplante.
O que é morte encefálica?
Esse é um dos pontos mais importantes quando se fala em doação de órgãos.
A morte encefálica significa a perda completa e irreversível das funções do cérebro. Não é coma e não significa que o paciente esteja simplesmente inconsciente esperando uma possível recuperação.
A legislação brasileira determina critérios específicos para o diagnóstico de morte encefálica antes que possa ocorrer a retirada de órgãos para transplante.
A compreensão desse conceito é fundamental porque dúvidas relacionadas à morte encefálica podem contribuir para a insegurança das famílias diante da possibilidade de doação.
A família precisa autorizar a doação?
Sim.
Esse é um ponto essencial do Setembro Verde.
No Brasil, a retirada de órgãos após a morte somente ocorre mediante autorização familiar. Mesmo que a pessoa tenha manifestado durante a vida o desejo de ser doadora, seus familiares serão consultados.
Por outro lado, mesmo quando alguém não manifestou previamente sua vontade, a família pode autorizar a doação.
Isso explica por que uma das mensagens mais importantes das campanhas de conscientização é:
Converse com sua família.
Falar sobre o assunto hoje pode facilitar uma decisão extremamente difícil amanhã.
Preciso colocar na identidade que sou doador?
Não é necessário registrar a vontade de doar em documentos ou cartórios para que a doação após a morte aconteça.
Segundo o Ministério da Saúde, a atitude mais importante para quem deseja ser doador é comunicar claramente essa decisão à família.
Essa conversa pode parecer desconfortável, mas tem enorme importância.
Dizer simplesmente:
“Se um dia for possível, eu quero ser doador de órgãos.”
já permite que seus familiares conheçam sua vontade.
Como funciona a doação após a morte?
O processo envolve várias etapas e critérios de segurança.
Quando existe a possibilidade de doação, ocorre a avaliação clínica e, quando aplicável, a confirmação da morte encefálica seguindo os critérios estabelecidos.
A família é então orientada sobre a possibilidade de doação.
Com a autorização familiar e a identificação de receptores compatíveis, a retirada dos órgãos ocorre em centro cirúrgico, por equipes autorizadas e treinadas para esse procedimento. Depois da retirada, o corpo é adequadamente reconstituído e liberado aos familiares.
Portanto, a doação não impede que a família realize normalmente os procedimentos relacionados ao funeral.
Quem recebe os órgãos doados?
A escolha dos receptores não é feita pela família do doador.
Os pacientes que necessitam de transplante são acompanhados dentro do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e a distribuição considera critérios técnicos definidos para cada situação.
O Ministério da Saúde informa que existe uma lista organizada por estado ou região e monitorada pelo SNT.
Isso significa que a distribuição não depende de preferência pessoal, condição financeira ou indicação da família do doador.
Uma pessoa pode salvar várias vidas?
A doação pode beneficiar diferentes pacientes porque diversos órgãos e tecidos podem ser aproveitados de um mesmo doador, quando existem condições clínicas para isso.
Segundo material da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, um único doador pode beneficiar pelo menos dez pessoas.
Para quem recebe um coração, fígado ou pulmão, o transplante pode representar a continuidade da vida.
Para quem recebe uma córnea, pode significar recuperar a visão.
Para outros pacientes, um tecido transplantado pode representar recuperação funcional e melhora importante na qualidade de vida.
Uma única decisão pode, portanto, repercutir na história de diversas famílias.
Por que ainda existem recusas familiares?
A decisão acontece em um dos momentos emocionalmente mais difíceis para qualquer família.
Além do luto, podem existir dúvidas sobre morte encefálica, receio em relação à retirada dos órgãos, crenças pessoais e desconhecimento sobre o processo.
É justamente nesse ponto que a informação faz diferença.
Quando uma família já conhece a vontade daquela pessoa, a decisão deixa de ser apenas uma pergunta feita em um momento de choque e passa também a representar o respeito a um desejo manifestado anteriormente.
Por isso, campanhas como o Setembro Verde não deveriam falar apenas sobre transplantes.
Elas precisam incentivar conversas.
Mitos sobre a doação de órgãos
“Se eu for doador, os médicos não vão tentar me salvar.”
Mito. O atendimento ao paciente e os procedimentos relacionados à possibilidade de doação são processos distintos. A legislação também estabelece critérios específicos para o diagnóstico de morte encefálica.
“Minha família não poderá realizar o funeral normalmente.”
Mito. Após a retirada dos órgãos e tecidos, o corpo é devidamente reconstituído e posteriormente liberado aos familiares.
“Sou muito velho para ser doador.”
Não cabe à própria pessoa determinar antecipadamente quais órgãos ou tecidos poderão ser utilizados. Essa avaliação é realizada pelas equipes de saúde.
“Se eu disser que quero doar, está resolvido.”
Não completamente. No Brasil, a autorização da família continua sendo necessária após a morte.
Setembro Verde: uma conversa que pode continuar salvando vidas
Falar sobre morte nunca é simples.
Talvez seja justamente por isso que tantas famílias nunca conversem sobre doação de órgãos até o momento em que precisam tomar essa decisão.
O Setembro Verde traz esse assunto para antes da urgência, antes da perda e antes da pergunta difícil.
Ser favorável à doação é importante.
Fazer sua família saber disso é ainda mais importante.
💚 Converse com sua família hoje
Se você deseja ser doador de órgãos e tecidos, não deixe essa decisão apenas na sua cabeça.
Converse com seus familiares e diga claramente que deseja ser doador.
E compartilhe este conteúdo. Uma informação enviada hoje pode ajudar uma família a tomar uma decisão consciente no futuro e pode representar uma nova oportunidade de vida para alguém que espera por um transplante.
Fontes
Ministério da Saúde | Sistema Nacional de Transplantes
Informações oficiais sobre como ser doador de órgãos, autorização familiar, funcionamento da doação e transplantes no Brasil.
Biblioteca Virtual em Saúde | Ministério da Saúde
Conteúdo oficial sobre o Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, e informações sobre órgãos e tecidos que podem ser doados.
Presidência da República | Lei nº 9.434/1997
Legislação que regulamenta a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para transplantes e tratamentos no Brasil.
Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) | Registro Brasileiro de Transplantes
Dados e informações nacionais sobre doação e transplantes de órgãos no Brasil.

