Artrose no quadril: por que pessoas fisicamente ativas também podem desenvolver a doença?

Entenda como sobrecarga mecânica, fatores genéticos e microlesões podem levar à artrose do quadril mesmo em quem pratica atividade física regularmente

08/02/2026

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A artrose no quadril (coxartrose) é uma doença degenerativa caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem da articulação. Embora muitas pessoas associem a artrose ao sedentarismo e ao envelhecimento, a realidade é que indivíduos fisicamente ativos também podem desenvolver a condição, inclusive atletas e praticantes regulares de exercício.

Entender os fatores envolvidos ajuda a prevenir, diagnosticar precocemente e evitar a progressão do desgaste articular.

O que é artrose do quadril?

A artrose é uma doença em que ocorre:

  • desgaste da cartilagem articular;

  • inflamação local;

  • redução do espaço entre os ossos;

  • formação de osteófitos (“bicos de papagaio”);

  • dor e limitação de movimento.

No quadril, a doença afeta a articulação entre o fêmur e a pelve, fundamental para locomoção, postura e sustentação do peso corporal.

Por que pessoas ativas também podem ter artrose?

A prática de atividade física é protetora para a saúde, mas alguns fatores mecânicos e biológicos podem favorecer o desgaste, mesmo em pessoas que se exercitam regularmente.

1. Sobrecarga mecânica repetitiva

Atividades de impacto (corrida, futebol, cross training, musculação intensa) geram:

  • compressão articular repetida;

  • microtraumas cumulativos;

  • desgaste progressivo da cartilagem.

📌 O problema não é o movimento — é o excesso sem recuperação adequada.

2. Microlesões silenciosas

Pequenas lesões podem ocorrer ao longo do tempo sem sintomas iniciais:

  • lesões labrais do quadril;

  • impacto femoroacetabular;

  • desgaste cartilaginoso precoce.

Com o passar dos anos, essas alterações favorecem o desenvolvimento da artrose.

3. Alterações anatômicas predisponentes

Algumas pessoas têm alterações estruturais que aumentam o risco, como:

  • displasia do quadril;

  • impacto femoroacetabular;

  • desalinhamento biomecânico.

Mesmo sendo ativas, essas condições aumentam o atrito articular.

4. Fatores genéticos e biológicos

A predisposição genética influencia:

  • qualidade da cartilagem;

  • resposta inflamatória;

  • capacidade de regeneração.

Ou seja, nem todo desgaste depende apenas do estilo de vida.

5. Treino intenso sem recuperação adequada

O tecido cartilaginoso precisa de tempo para se recuperar. Treinos excessivos, sem descanso, podem:

  • acelerar desgaste;

  • aumentar inflamação;

  • favorecer dor crônica.

*Artrose do quadril em praticantes de Jiu-Jitsu

Praticantes de Jiu-Jitsu podem apresentar maior risco de desenvolver desgaste articular no quadril devido às características biomecânicas do esporte. Movimentos repetitivos de rotação, flexão profunda, torção e compressão articular, comuns em guardas, raspagens e finalizações, podem gerar microtraumas cumulativos, impacto femoroacetabular e lesões labrais ao longo dos anos. Mesmo sem dor inicial, essas alterações podem evoluir silenciosamente e contribuir para o desenvolvimento da artrose. Por isso, atletas de Jiu-Jitsu devem valorizar fortalecimento do core, mobilidade controlada, recuperação adequada e avaliação ortopédica precoce ao surgirem sintomas persistentes no quadril.

Principais sintomas da artrose do quadril

  • dor profunda na virilha ou lateral do quadril;

  • rigidez matinal;

  • dor ao caminhar ou subir escadas;

  • limitação de movimento;

  • sensação de “travamento”.

Nos estágios iniciais, a dor pode aparecer apenas após esforço.

O papel do diagnóstico

A avaliação inclui:

  • exame clínico ortopédico;

  • radiografia do quadril;

  • ressonância magnética (em casos iniciais);

  • avaliação biomecânica.

📌 Diagnóstico precoce reduz progressão da doença.

Exercício físico faz mal?

Não. O exercício é protetor, desde que:

  • bem orientado;

  • sem sobrecarga excessiva;

  • com fortalecimento muscular adequado;

  • com recuperação adequada.

Movimento controlado protege a articulação.

Como prevenir o desgaste

  • fortalecer musculatura do quadril e core;

  • evitar impacto excessivo contínuo;

  • respeitar períodos de descanso;

  • corrigir biomecânica;

  • manter peso adequado.

Em Síntese

A artrose do quadril não é exclusiva de pessoas sedentárias. Mesmo indivíduos ativos podem desenvolver a doença devido à sobrecarga mecânica, microlesões, fatores anatômicos e predisposição genética. A chave está no equilíbrio entre movimento, proteção articular e diagnóstico precoce.

🦴 Nem sempre é a falta de movimento — às vezes é o excesso sem controle.

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📚 Fontes e Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS) – Osteoartrite

  • American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS)

  • Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)

  • National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases (NIAMS)

  • UpToDate – Hip Osteoarthritis

🔎 Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica ou ortopédica.

Nem sempre é falta de movimento — às vezes é o excesso e a sobrecarga que desgastam o quadril