Câncer de mama: estudo revela como o tumor manipula o sistema imunológico para favorecer seu crescimento

Descoberta ajuda a entender a progressão da doença e pode abrir caminho para novas estratégias terapêuticas

18/01/2026

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Pesquisadores descobriram que o câncer de mama pode usar o próprio sistema imunológico para apoiar seu crescimento e sobrevivência, uma estratégia que ajuda o tumor a escapar da vigilância natural do corpo e a progredir mais rapidamente. Esse tipo de mecanismo contribui para a complexidade biológica da doença, influenciando respostas ao tratamento e potencialmente abrindo caminho para novas abordagens terapêuticas.

Como o câncer de mama interage com o sistema imune

Em condições normais, o sistema imunológico combate células anormais ou danificadas, incluindo aquelas que podem originar tumores. No entanto, estudos recentes mostram que células de câncer de mama conseguem “reprogramar” ou desviar a resposta imune, fazendo com que certas células de defesa deixem de atacar o tumor e, em alguns casos, até contribuam para um ambiente que favorece seu crescimento.

Esse comportamento faz parte de uma estratégia mais ampla do tumor de criar um microambiente imunossupressor — ou seja, um contexto local em que as respostas do sistema imune se tornam ineficazes ou tolerantes à presença das células cancerígenas.

Por que isso acontece?

O tumor de mama em desenvolvimento pode emitir sinais químicos que influenciam o comportamento de células imunes, como macrófagos e linfócitos. Em vez de destruírem as células tumorais, essas células imunológicas alteradas podem:

  • Suprimir respostas anti-tumorais efetivas;

  • Liberar fatores que promovem crescimento celular;

  • Estimular a formação de novos vasos sanguíneos que nutrem o tumor;

  • Criar um ambiente de inflamação crônica que favorece sobrevivência da massa tumoral.

Esse fenômeno está relacionado à chamada evasão imunológica: embora o sistema de defesa normalmente reconheça e elimine ameaças, o câncer é capaz de “enganar” essas células, transformando potenciais inimigos em aliados silenciosos.

Impacto no tratamento e no prognóstico

Essas descobertas explicam por que alguns tumores de mama crescem apesar da presença de células imunológicas no microambiente tumoral. Um microambiente imunossupressor pode:

  • Reduzir a eficácia de terapias convencionais;

  • Dificultar o sucesso de imunoterapias que dependem de respostas imunes robustas;

  • Estar associado a prognósticos piores em tumores que “ativa­mente” neutralizam o ataque do sistema imune.

Por isso, entender como o tumor subverte o sistema imune é fundamental não apenas para compreender a biologia da doença, mas também para desenvolver terapias mais precisas e eficazes.

Pesquisas que estão tentando virar esse jogo

A comunidade científica tem investigado maneiras de “reprogramar” o microambiente imunológico para torná-lo mais eficaz no combate ao câncer. Alguns estudos, por exemplo:

  • avaliam como tornar tumores originalmente “imunes frios” em tumores “imunes quentes”, com maior infiltração de células T que atacam o tumor;

  • reprogramam células imunológicas, como macrófagos, para assumirem um perfil mais anti-tumoral.

Essas abordagens mostram potencial para aumentar a eficácia de imunoterapias e terapias combinadas, oferecendo novas esperanças mesmo para casos de câncer resistentes a tratamentos convencionais.

O papel da imunoterapia no câncer de mama

O câncer de mama tem sido um dos focos de avanços em imunoterapia, especialmente em subtipos como o triplo-negativo, que tradicionalmente tem menos opções terapêuticas. Imunoterapias modernas estimulam o sistema imunológico a reconhecer e destruir células tumorais, revertendo, em parte, o efeito de evasão imunológica causado pelo câncer.

Essas abordagens incluem:

  • Inibidores de checkpoint imunológico (ex.: PD-1/PD-L1);

  • Estratégias que ativam células T específicas contra o tumor;

  • Combinações de imunoterapia com quimioterapia para melhorar resultados clínicos.

Em Síntese

O câncer de mama não é apenas um crescimento descontrolado de células; é uma doença que interage de maneira complexa com o sistema imunológico, às vezes manipulando respostas naturais de defesa para seu próprio benefício. Entender esses mecanismos abre portas para terapias mais eficazes e personalizadas, com foco em reverter a capacidade do tumor de “enganar” o sistema imune.

O avanço científico nessa área reforça a importância de pesquisa contínua e tratamentos inovadores, que podem transformar essa relação entre tumor e imunidade em vantagem terapêutica.

📌 Câncer de mama e sistema imunológico: o que você pode fazer agora

  • Procure acompanhamento médico especializado se houver histórico pessoal ou familiar de câncer de mama.

  • Realize exames de rastreamento regularmente, conforme idade e fatores de risco (mamografia, ultrassom, ressonância).

  • Converse com o oncologista sobre novas abordagens terapêuticas, incluindo imunoterapia, quando indicada.

  • Valorize a ciência e a pesquisa clínica, que são fundamentais para tratamentos mais eficazes e personalizados.

  • Busque informação confiável para compreender a doença além do tumor, incluindo o papel do sistema imunológico.

👉 Conhecimento salva vidas: entender como o câncer age ajuda a tomar decisões mais seguras e precoces.

📚 Fontes e referências

  • MSN SaúdeEstudo mostra como câncer de mama usa o sistema imune para favorecer o próprio crescimento.

  • Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Câncer de mama: biologia tumoral e tratamento.

  • Nature Reviews Cancer — Tumor microenvironment and immune evasion.

  • American Cancer Society (ACS) — Breast cancer and immunotherapy.

  • Fiocruz / Ministério da Saúde — Pesquisa e inovação em oncologia.

  • UpToDate — Immunology of breast cancer and therapeutic implications.

Entender a relação entre tumor e imunidade é chave para novas terapias contra o câncer de mama