Choque cardiogênico: principais causas, mecanismos e por que essa condição é tão grave
Entenda o que compromete o bombeamento do coração e leva à falência circulatória aguda
03/01/2026
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O choque cardiogênico é uma das emergências clínicas mais graves da medicina, caracterizado pela incapacidade do coração de bombear sangue suficiente para atender às necessidades metabólicas do organismo. Mesmo com avanços no diagnóstico e no tratamento intensivo, essa condição ainda apresenta alta mortalidade, especialmente quando o reconhecimento e a intervenção não são precoces.
Entender o que leva ao choque cardiogênico é essencial para agir rapidamente e reduzir desfechos fatais.
O que é choque cardiogênico?
Choque cardiogênico é um estado de falência circulatória aguda decorrente de disfunção cardíaca primária, resultando em:
queda importante do débito cardíaco;
hipotensão persistente;
hipoperfusão tecidual;
disfunção de múltiplos órgãos.
Diferente de outros tipos de choque, o problema central aqui não é volume, mas sim falha do coração como bomba.
Principais causas de choque cardiogênico
1. Infarto agudo do miocárdio (IAM)
É a causa mais comum. Grandes áreas de necrose miocárdica reduzem drasticamente a capacidade contrátil do coração, levando à queda abrupta do débito cardíaco.
2. Arritmias graves
taquiarritmias ventriculares;
bradiarritmias extremas;
bloqueios atrioventriculares avançados.
Arritmias comprometem o enchimento e a ejeção cardíaca, podendo precipitar choque rapidamente.
3. Insuficiência cardíaca agudamente descompensada
Pacientes com cardiopatia prévia podem evoluir para choque após:
infecções;
sobrecarga volêmica;
suspensão de medicações;
eventos isquêmicos.
4. Complicações mecânicas cardíacas
ruptura de músculo papilar;
insuficiência mitral aguda;
comunicação interventricular pós-infarto;
São causas menos frequentes, porém extremamente graves e abruptas.
5. Miocardite aguda
Inflamação do miocárdio, geralmente de origem viral ou imunológica, pode levar à falência cardíaca súbita, inclusive em pacientes jovens.
6. Valvopatias agudas
Estenose ou insuficiência valvar grave de instalação súbita pode precipitar choque cardiogênico.
O que acontece no organismo durante o choque cardiogênico
A falência do bombeamento cardíaco desencadeia uma cascata:
queda da pressão arterial;
redução da perfusão cerebral, renal e coronariana;
ativação excessiva do sistema nervoso simpático;
aumento da resistência vascular periférica;
acidose metabólica e lactato elevado.
Esse ciclo retroalimenta a falência cardíaca, agravando rapidamente o quadro.
Principais sinais e sintomas
hipotensão persistente;
extremidades frias e cianóticas;
sudorese intensa;
confusão mental ou rebaixamento de consciência;
oligúria;
dispneia e edema pulmonar.
Na prática, o paciente apresenta sinais claros de má perfusão sistêmica.
O papel dos exames laboratoriais
O laboratório é fundamental na avaliação e monitorização:
troponina: identifica evento isquêmico;
lactato: marcador de hipoperfusão;
gasometria: avalia acidose;
função renal: detecta injúria renal aguda;
BNP / NT-proBNP: avaliam sobrecarga cardíaca.
Exames seriados ajudam a avaliar gravidade e resposta ao tratamento.
Tratamento: tempo é determinante
O manejo do choque cardiogênico inclui:
suporte hemodinâmico intensivo;
drogas vasoativas;
ventilação mecânica, quando necessária;
correção da causa de base (ex: reperfusão coronariana);
suporte circulatório mecânico em casos selecionados.
Quanto mais precoce a intervenção, maior a chance de sobrevivência.
Por que a mortalidade ainda é alta?
Mesmo com tecnologia avançada, o choque cardiogênico apresenta mortalidade elevada porque:
o diagnóstico pode ser tardio;
a disfunção cardíaca é extensa;
múltiplos órgãos já estão comprometidos;
há pouco tempo para reversão do dano.
Por isso, o reconhecimento precoce é decisivo.
Em Síntese
O choque cardiogênico representa o estágio mais crítico da falência cardíaca aguda. Ele não surge de forma isolada, mas como consequência de eventos cardíacos graves, principalmente infarto, arritmias e insuficiência cardíaca descompensada.
📌 Quando o coração falha como bomba, cada minuto conta.
Diagnóstico rápido, suporte intensivo e ação coordenada salvam vidas.
📌Choque cardiogênico: reconhecer cedo salva vidas
✔ Suspeite precocemente diante de hipotensão, extremidades frias, confusão mental e oligúria.
✔ Não dependa de um único exame: correlacione clínica, ECG, imagem e marcadores laboratoriais.
✔ Solicite avaliação e monitorização imediatas em UTI quando houver sinais de hipoperfusão.
✔ Trate a causa de base rapidamente (ex.: reperfusão no IAM, controle de arritmias).
✔ Use exames seriados (lactato, troponina, gasometria, função renal) para guiar conduta e prognóstico.
👉 No choque cardiogênico, cada minuto conta.
👉 Em suspeita clínica, procure atendimento emergencial imediatamente.
📚 Fontes e referências
European Society of Cardiology (ESC) — Guidelines for the management of cardiogenic shock.
American Heart Association (AHA) — Management of Cardiogenic Shock.
UpToDate — Cardiogenic shock: Pathophysiology, diagnosis, and management.
Harrison’s Principles of Internal Medicine — Capítulo de choque e insuficiência cardíaca aguda.
Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) — Diretrizes de síndrome coronariana aguda e choque.
Surviving Sepsis Campaign / Critical Care — Monitorização hemodinâmica e lactato (conceitos aplicáveis).

