Cientistas sugerem que o autismo pode estar ligado à evolução do cérebro humano

Entenda como características do espectro autista podem estar associadas a adaptações evolutivas do cérebro humano

29/01/2026

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Nos últimos meses, pesquisas em neurociência evolutiva ganharam destaque ao sugerir que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode não ser apenas um “erro de desenvolvimento”, mas sim um produto da evolução biológica do cérebro humano. Essa visão mais ampla está sendo explorada por cientistas que estudam como o cérebro humano se tornou único ao longo da evolução, e como isso pode estar ligado à alta prevalência do autismo na nossa espécie.

O que os estudos científicos mostram

Pesquisas recentes, incluindo um trabalho publicado na revista Molecular Biology and Evolution, observaram que certos tipos de neurônios excitatórios do neocórtex — uma região associada a funções cognitivas complexas como linguagem e raciocínio — evoluíram de forma acelerada na linhagem humana em comparação a outros primatas. Essa evolução acelerada coincidiu com mudanças em genes ligados ao autismo.

Os resultados sugerem que a mesma transformação genética que ampliou a capacidade cognitiva humana também pode ter aumentado a predisposição a traços do espectro autista. Em termos evolutivos, isso seria um tipo de “trade-off”: um ganho adaptativo acompanhado de um custo biológico em alguns indivíduos.

Como isso se conecta à evolução humana

A hipótese evolutiva propõe que:

  • Genes que contribuíram para capacidade linguística, pensamento abstrato e raciocínio complexo também alteraram caminhos neurodesenvolvimentais;

  • Essas mudanças podem ter criado uma janela de desenvolvimento mais prolongada na infância, favorecendo aprendizagem e neuroplasticidade;

  • Em algumas combinações genéticas, isso também pode aumentar a probabilidade de características do espectro autista.

Essa perspectiva não afirma que o autismo seja “positivo” ou “negativo”, mas sim que ele pode ser parte natural da diversidade neurológica humana — um resultado complexo de bilhões de anos de seleção natural.

O que diferencia humanos de outros animais

Um ponto importante destacado pela pesquisa é que características como autismo e esquizofrenia parecem ser praticamente exclusivas dos seres humanos ou muito raras em outros primatas. Isso reforça a ideia de que essas condições estão conectadas às modificações evolutivas únicas do cérebro humano.

Autismo e neurodiversidade

Essa nova abordagem se encaixa no conceito de neurodiversidade, que vê variações neurológicas — como o autismo — não apenas como “defeitos” ou “distúrbios”, mas como expressões naturais da ampla variação humana. Segundo especialistas e organizações da comunidade autista, isso reforça a importância de:

  • aceitar diferentes formas de processamento cognitivo;

  • valorizar habilidades únicas associadas ao espectro;

  • promover inclusão e oportunidades iguais para indivíduos autistas.

O que isso NÃO significa

É fundamental esclarecer que essa hipótese não substitui o conhecimento clínico tradicional sobre o autismo. O argumento evolutivo não indica:

  • que o autismo deixa de ser um transtorno com impacto funcional;

  • que não existem desafios reais de saúde, comunicação e comportamento;

  • que não sejam necessárias intervenções de suporte, educação e terapia individualizada.

Ela apenas sugere que a origem de certas predisposições pode ter raízes evolutivas profundas, junto com as adaptações que tornaram nosso cérebro complexo.

Em Síntese

A ideia de que o autismo pode ser resultado da evolução do cérebro humano representa uma mudança de paradigma no estudo do neurodesenvolvimento. Em vez de ser visto exclusivamente como uma “falha”, o autismo pode refletir neurodiversidade natural moldada por milhões de anos de seleção natural que nos deram habilidades cognitivas únicas.

Esse tipo de pesquisa abre novas perspectivas para entendimento científico e social, subjetivo e genético, e pode influenciar futuras abordagens de cuidado, educação e inclusão.

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📚 Fontes e Referências

  • Molecular Biology and Evolution – Estudos sobre evolução do neocórtex humano

  • Organização Mundial da Saúde (OMS) – Transtorno do Espectro Autista (TEA)

  • National Institutes of Health (NIH) – Autism Spectrum Disorder

  • Stanford University – Neurodiversity and human brain evolution

  • MSN / Ciência & Tecnologia – Reportagem: Cientistas afirmam que o autismo pode ser resultado da evolução do cérebro humano

  • InfoMoney – Autismo e evolução do cérebro humano

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Talvez não seja falha — mas uma adaptação diferente do cérebro humano ao longo da evolução