Leqembi: Anvisa aprova novo medicamento para o tratamento do Alzheimer no Brasil

Entenda como o lecanemabe atua na doença de Alzheimer e o que muda após a aprovação da Anvisa

10/01/2026

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o Leqembi, um novo medicamento indicado para o tratamento da doença de Alzheimer em estágios iniciais, marcando um avanço importante no combate à principal causa de demência neurodegenerativa no mundo.

O que é o Leqembi e como funciona

O Leqembi é um medicamento biológico produzido com o anticorpo monoclonal lecanemabe, que atua diretamente nas placas beta-amiloides — agregados proteicos associados ao desenvolvimento e progressão da doença de Alzheimer.

Esse anticorpo é administrado por infusão intravenosa, em sessões que duram cerca de uma hora, repetidas a cada duas semanas. A ideia é que o medicamento ajude o sistema imunológico a reduzir o acúmulo de beta-amiloide no cérebro, uma das principais características fisiopatológicas da doença.

Por que a aprovação do Leqembi é relevante

Até recentemente, os tratamentos disponíveis para Alzheimer no Brasil atuavam apenas nos sintomas da doença, como problemas de memória e comportamento, sem interferir diretamente no processo que leva ao dano neural. A aprovação do Leqembi representa um avanço significativo, pois é um dos primeiros tratamentos que podem desacelerar a progressão cognitiva ao agir sobre um dos mecanismos subjacentes da doença.

Evidências científicas e eficácia clínica

A aprovação pelo órgão regulador brasileiro se baseou em um estudo que envolveu 1.795 pacientes com Alzheimer em estágio inicial e presença confirmada de placas beta-amiloides. No acompanhamento de 18 meses, os participantes que receberam o Leqembi tiveram menor declínio cognitivo e funcional em comparação ao grupo que recebeu placebo, medido pela escala clínica de demência CDR-SB.

Esse resultado sugere que, quando usado em fases iniciais da doença, o Leqembi pode oferecer um ganho importante em qualidade de vida e tempo de funcionalidade antes da progressão acentuada dos sintomas.

Quem pode usar o Leqembi

O medicamento é indicado para pacientes adultos com diagnóstico clínico de comprometimento cognitivo leve ou demência leve decorrente do Alzheimer, com patologia amiloide confirmada por exames adequados.

A aprovação também inclui recomendações para avaliação genética do alelo ApoE ε4 em alguns casos, pois isso pode influenciar o perfil de riscos e benefícios da terapia.

Principais pontos sobre o uso de Leqembi

  • 📌 Modo de ação: anticorpo monoclonal que promove a remoção de placas beta-amiloides;

  • 📌 Indicação: Alzheimer em estágio inicial (demência leve ou comprometimento cognitivo leve);

  • 📌 Administração: infusão intravenosa a cada duas semanas;

  • 📌 Objetivo: reduzir a progressão do declínio cognitivo, não curar a doença.

É importante frisar que o Leqembi não representa uma cura para o Alzheimer, mas pode desacelerar a deterioração cognitiva, prolongando a fase onde as funções do paciente ainda estão relativamente preservadas.

O que isso significa para pacientes e cuidadores

A chegada do Leqembi ao Brasil abre uma nova perspectiva no acompanhamento terapêutico de pessoas com Alzheimer no início da doença. Essa opção pode ser particularmente relevante para pacientes que:

  • foram diagnosticados recentemente;

  • apresentam sintomas leves;

  • têm exame que confirma a presença de beta-amiloide no cérebro.

Além de reduzir o ritmo de progressão, o tratamento pode proporcionar tempo adicional de autonomia e melhor capacidade de realizar atividades diárias.

Em Síntese

A aprovação do Leqembi pela Anvisa representa um novo capítulo no tratamento do Alzheimer no Brasil — um marco importante para a medicina neurológica e para muitas famílias afetadas pela doença. Agir precocemente com terapias que atuam sobre os mecanismos biológicos do Alzheimer pode contribuir para melhor qualidade de vida e maior tempo funcional preservado em pacientes diagnosticados no início da trajetória da doença.

📌 Leqembi e Alzheimer: o que fazer agora

  • Converse com um neurologista para avaliar se o Leqembi é indicado (uso apenas em fases iniciais).

  • Confirme a presença de amiloide com exames apropriados antes de iniciar o tratamento.

  • Avalie riscos e benefícios, incluindo necessidade de infusões quinzenais e monitorização por imagem.

  • Não interrompa terapias atuais sem orientação médica especializada.

  • Busque informação confiável e acompanhamento contínuo para paciente e cuidadores.

👉 O tratamento é indicado para casos selecionados e não é cura, mas pode desacelerar a progressão quando iniciado precocemente.

📚 Fontes e referências

  • G1 – Saúde: Leqembi: como funciona o novo medicamento contra o Alzheimer aprovado no Brasil (08/01/2026).

  • ANVISA: Aprovação do lecanemabe (Leqembi) para Alzheimer em estágio inicial.

  • Agência Brasil (EBC): Detalhes sobre indicação, eficácia e monitorização do lecanemabe.

  • New England Journal of Medicine (NEJM): Estudos clínicos do lecanemabe (CLARITY AD).

  • Alzheimer’s Association: Informações clínicas sobre terapias anti-amiloide.

Novo tratamento abre uma nova etapa no cuidado com o Alzheimer