Lipoproteína(a): por que é considerada um marcador de risco cardiovascular mais preciso que LDL e PCR ultrassensível

Entenda como a Lp(a) identifica risco cardiovascular hereditário mesmo quando LDL e inflamação estão controlados

07/01/2026

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A Lipoproteína(a), frequentemente abreviada como Lp(a), é um marcador de risco cardiovascular que tem ganhado cada vez mais destaque na medicina moderna. Diferente de marcadores tradicionais como o colesterol LDL (“mau colesterol”) e a proteína C-reativa ultrassensível (hs-PCR), a Lp(a) fornece informações valiosas e independentes sobre a propensão de uma pessoa desenvolver doenças cardíacas, incluindo infarto, derrame (AVC) e estenose da válvula aórtica.

O que é a Lipoproteína(a)?

A Lipoproteína(a) é uma partícula lipídica presente no sangue, semelhante ao LDL, mas com uma diferença estrutural importante: ela possui uma proteína adicional chamada apolipoproteína(a) ligada ao LDL. Essa composição especial confere à Lp(a) características que a tornam particularmente aterogênica e pró-inflamatória, favorecendo a formação de placas de gordura nas artérias e contribuindo para o risco cardiovascular.

Ao contrário do LDL e da hs-PCR, os níveis de Lp(a) são determinados principalmente por fatores genéticos, com pouco ou nenhum impacto de dieta, atividade física ou estilo de vida. Por isso, uma pessoa pode ter colesterol “aparentemente normal” e, mesmo assim, estar em risco elevado por conta da Lp(a).

Por que a Lp(a) é um marcador tão relevante?

1. Risco independente de outros fatores

Estudos confirmam que níveis elevados de Lp(a) estão associados ao aumento do risco de eventos cardiovasculares independentemente dos níveis de LDL ou da inflamação medida pela hs-PCR. Ou seja, mesmo que o LDL e a hs-PCR estejam bem controlados, uma Lp(a) alta pode indicar risco adicional de infarto ou AVC.

2. Mecanismos que aumentam o risco

A Lp(a) pode favorecer:

  • formação de placas ateroscleróticas nas paredes dos vasos sanguíneos;

  • inflamação vascular;

  • trombose (formação de coágulos);

  • calcificação da válvula aórtica.


    Esses efeitos combinados a tornam mais prejudicial do que outros tipos de lipoproteínas tradicionais.

3. Marcador estável e hereditário

Os níveis de Lp(a) tendem a ser estáveis ao longo da vida, alcançando valores adultos já a partir da infância, e são altamente determinados geneticamente. Por isso, muitas diretrizes modernas sugerem fazer o exame pelo menos uma vez na vida — especialmente quando há histórico familiar de doença cardíaca precoce.

Quando devo fazer o exame de Lipoproteína(a)?

O exame de Lp(a) é feito por meio de uma coleta de sangue simples e pode ser indicado, por exemplo, quando:

  • histórico familiar de doenças cardíacas precoces;

  • o colesterol LDL está em níveis normais, mas há eventos cardiovasculares inexplicáveis;

  • doença arterial coronariana, infarto ou AVC precoces;

  • os resultados de marcadores tradicionais não explicam totalmente o risco do paciente.

Essa avaliação ajuda a estratificar melhor o risco e personalizar estratégias de prevenção e acompanhamento.

Como interpretar os níveis de Lp(a)?

Embora existam variações nos métodos de medição, alguns valores são tradicionalmente considerados como indicadores de risco:

  • inferior a 30 mg/dL — geralmente considerado normal;

  • acima de 50 mg/dL — associado a risco cardiovascular aumentado;

  • níveis ainda mais elevados podem indicar predisposição genética marcante a eventos cardíacos.

Importante: a interpretação deve sempre ser feita por um profissional de saúde, levando em conta outros fatores clínicos e de risco individual.

Comparação com outros marcadores: LDL e hs-PCR

Enquanto o LDL colesterol reflete a carga de lipídios que podem se acumular nas artérias e a hs-PCR indica inflamação sistêmica, a Lp(a combina ambos os aspectos e adiciona um componente genético forte ao risco. Isso significa que a Lp(a) pode revelar pacientes que, apesar de terem colesterol e inflamação controlados, ainda apresentam risco significativo de doenças cardiovasculares silenciosas.

Tratamento e manejo

Atualmente, não existem terapias amplamente aprovadas que reduzam diretamente a Lp(a) de forma eficaz. No entanto, existem estratégias complementares:

  • controlar outros fatores de risco cardiovascular (pressão arterial, diabetes, tabagismo);

  • manter níveis de LDL dentro de metas agressivas de tratamento;

  • medicamentos como inibidores de PCSK9 podem reduzir modestamente a Lp(a) em algumas pessoas;

  • terapias experimentais com oligonucleotídeos e RNA interferente mostram potencial em estudos clínicos.

O foco atual é uma abordagem ampla de redução do risco total cardiovascular.

Em Síntese

A Lipoproteína(a) (Lp(a)) emergiu como um marcador de risco cardiovascular essencial, especialmente em indivíduos que não apresentam riscos evidentes pelos exames tradicionais de colesterol e inflamação. Sua determinação genética e associação com aterosclerose, inflamação e trombose a tornam um elemento crucial na avaliação moderna de risco cardíaco.

Se você tem histórico familiar de doença cardiovascular precoce ou resultados inexplicáveis em seus exames tradicionais, converse com seu médico sobre a dosagem de Lp(a) — pode ser a chave para uma prevenção personalizada e eficaz.

📌 Lipoproteína(a): avalie um risco cardiovascular que pode passar despercebido

  • Converse com seu médico sobre a dosagem de Lipoproteína(a), especialmente se há histórico familiar de infarto ou AVC precoce.

  • Não confie apenas no colesterol LDL: a Lp(a) pode indicar risco mesmo com exames tradicionais normais.

  • Faça o exame ao menos uma vez na vida, conforme recomendação de diretrizes modernas.

  • Redobre o controle dos fatores de risco (pressão, glicemia, peso, tabagismo) se a Lp(a) estiver elevada.

  • Busque informação confiável para prevenção personalizada no Alerta Saúde.

👉 A Lp(a) revela um risco genético e silencioso que merece atenção precoce.


👉 Prevenir hoje é evitar eventos cardiovasculares amanhã.

📚 Fontes

  • Posenato Diagnósticos — O que é a Lipoproteína(a) e por que monitorar o risco cardiovascular. Posenato Diagnósticos

  • Sociedade Brasileira de Cardiologia e estudos epidemiológicos — Relação entre Lp(a) e risco cardiovascular independente. PMC

  • Fontes médicas internacionais — Estudos sobre mecanismos patogênicos de Lp(a) na aterosclerose. Afya.

A Lp(a) revela um risco cardiovascular que o LDL e a PCR podem não mostrar