Melatonina: uso prolongado pode aumentar o risco de insuficiência cardíaca e mortalidade, aponta estudo

Entenda os possíveis riscos do uso contínuo de melatonina e quando a suplementação deve ser reavaliada

13/01/2026

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O uso de melatonina, um hormônio produzido naturalmente pelo corpo para regular o ciclo sono-vigília, é amplamente difundido como suplemento para melhorar o sono. Por ser comum, “natural” e de fácil acesso, muitas pessoas a utilizam por longos períodos, especialmente quando enfrentam insônia crônica. No entanto, um estudo recente apresentou resultados preocupantes: o uso prolongado de melatonina está associado a um risco maior de insuficiência cardíaca, hospitalização por problemas cardíacos e morte por qualquer causa.

O que mostram os novos dados

Um estudo apresentado na American Heart Association (AHA) analisou os registros de saúde de mais de 130.000 adultos com insônia crônica por um período de cinco anos. Esses participantes foram divididos em dois grupos: aqueles que usaram melatonina por um ano ou mais e aqueles que não utilizaram o hormônio.

Principais achados do estudo

  • Usuários de melatonina por 12 meses ou mais apresentaram cerca de 90% mais chances de desenvolver insuficiência cardíaca ao longo de cinco anos;

  • O grupo que usou melatonina teve aproximadamente 3,5 vezes mais chance de hospitalização por insuficiência cardíaca do que os não usuários;

  • A probabilidade de morte por qualquer causa também foi maior entre usuários de melatonina prolongada.

Esses dados chamam atenção porque sugerem uma associação consistente entre o uso prolongado do suplemento e desfechos cardíacos severos.

O que isso significa na prática

Apesar dos resultados fortes, é importante destacar que este estudo é observacional e não prova que a melatonina causa insuficiência cardíaca ou morte. Ou seja, pode haver fatores associados (como gravidade da insônia, estresse, comorbidades ou uso de outros medicamentos) que influenciam os desfechos negativos.

Ainda assim, os dados sugerem que:

  • a melatonina não deve ser assumida automaticamente como “inofensiva” em uso prolongado;

  • pacientes com insônia crônica que dependem de melatonina deveriam ser avaliados por profissionais de saúde para identificar e tratar as causas subjacentes do distúrbio do sono.

Melatonina: quando é segura e quando exige cuidado

A melatonina tem papel fisiológico claro no ciclo sono-vigília. Em usos de curto prazo e sob orientação médica, ela pode ajudar em algumas situações, como:

  • distúrbios do ritmo circadiano (especialmente em trabalhadores por turnos ou jet lag);

  • dificuldade transitória para dormir.

Mas a maior parte das evidências científicas atuais não recomenda o uso prolongado sem supervisão — especialmente em pessoas com problemas cardíacos ou fatores de risco cardiovascular.

Especialistas pedem mais pesquisas

Os próprios autores do estudo e especialistas em saúde cardiovascular apontam que, embora a associação seja significativa, mais pesquisas são necessárias, incluindo ensaios clínicos controlados que confirmem ou refutem a relação causal entre a melatonina e eventos cardíacos graves.

Dicas para quem usa melatonina

📌 Consulte um médico antes de iniciar ou continuar o uso por longos períodos;
📌 Explore terapias não medicamentosas para insônia, como higiene do sono, terapia cognitivo-comportamental e hábitos saudáveis;
📌 Atenção a outros fatores de risco cardíaco (hipertensão, tabagismo, diabetes);
📌 Reavalie a necessidade do uso contínuo a cada 3–6 meses com um profissional de saúde.

Em Síntese

O uso prolongado de melatonina — muitas vezes visto como seguro por ser “natural” — pode estar associado a sérios riscos cardiovasculares, incluindo insuficiência cardíaca, hospitalização e morte, especialmente em indivíduos com insônia crônica. Embora os estudos ainda sejam preliminares e não definam causalidade, os resultados reforçam que suplementação com melatonina deve ser cuidadosa, orientada por um médico e, preferencialmente, de curto prazo.

Dormir melhor é importante — mas proteger o coração também.

📌 Melatonina: uso prolongado exige cautela e acompanhamento

  • Não utilize melatonina por longos períodos sem orientação médica, mesmo sendo um suplemento “natural”.

  • Reavalie a necessidade do uso contínuo, principalmente se houver histórico de doenças cardíacas, hipertensão ou fatores de risco cardiovascular.

  • Investigue a causa da insônia, em vez de apenas tratar o sintoma (estresse, ansiedade, apneia do sono, hábitos inadequados).

  • Priorize medidas não farmacológicas, como higiene do sono e terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I).

  • Procure atendimento médico imediato se surgirem sintomas como falta de ar, inchaço, fadiga extrema ou palpitações.

👉 Suplemento não é isento de risco.


👉 Dormir bem é importante, mas com segurança e orientação profissional.

📚 Fontes e referências

  • G1 – Saúde: Melatonina: uso prolongado pode aumentar risco de insuficiência cardíaca e morte (03/11/2025).

  • American Heart Association (AHA)Long-term use of melatonin supplements may have negative cardiovascular effects.

  • Science Daily — Associação entre uso prolongado de melatonina e insuficiência cardíaca em pacientes com insônia.

  • UpToDateMelatonin for sleep disorders in adults.

  • National Institutes of Health (NIH) — Melatonin: safety, dosing and long-term use.

  • Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) — Fatores de risco e prevenção da insuficiência cardíaca.

Uso contínuo de melatonina exige cautela e orientação médica