Mortes no Hospital Anchieta: cronologia dos óbitos, datas dos crimes e andamento da investigação no DF

Mortes no Hospital Anchieta: cronologia dos óbitos, datas dos crimes e andamento da investigação no DF

20/01/2026

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O caso das mortes suspeitas de pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), mobiliza as autoridades e a comunidade desde o fim de 2025. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga se três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foram vítimas de homicídio por parte de profissionais de saúde — um episódio que chocou familiares e reacendeu o debate sobre segurança do paciente em unidades hospitalares.

Cronologia dos óbitos suspeitos

17 de novembro de 2025 — Miranilde Pereira da Silva

A primeira vítima foi Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos. Ela estava internada na UTI do Hospital Anchieta quando apresentou piora súbita após receber várias aplicações de substâncias diretamente na veia, segundo as investigações. A perícia aponta que a paciente teria sofrido paradas cardíacas após cada aplicação, e a polícia apura se parte das doses foi de desinfetante — um químico que não deveria ser usado em uso intravenoso e sem indicação médica.

17 de novembro de 2025 — João Clemente Pereira

No mesmo dia, João Clemente Pereira, de 63 anos, também internado na UTI, teve duas aplicações irregulares de um medicamento e evoluiu para óbito. A família foi informada posteriormente de que a morte estava sob investigação criminal, apesar de inicialmente ter acreditado tratar-se de causa natural.

1º de dezembro de 2025 — Marcos Raymundo Fernandes Moreira

A terceira vítima foi Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios e morador de Brazlândia, que morreu após receber aplicação de substância suspeita, conforme aponta o inquérito policial.

Investigação policial: prisão dos suspeitos

As investigações foram conduzidas pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP) da PCDF e resultaram na prisão temporária de três técnicos de enfermagem, suspeitos de envolvimento direto nas mortes das três vítimas.

Segundo a polícia, o principal suspeito — um homem de 24 anos — teria preparado as substâncias e as aplicado nas veias dos pacientes, utilizando o acesso venoso sem qualquer prescrição médica válida. Testemunhas e evidências recolhidas, incluindo imagens e registros hospitalares, compõem parte da investigação.

Duas técnicas de enfermagem, de 22 e 28 anos, também foram presas por auxiliarem e acobertarem as condutas irregulares em dois dos três casos.

Operação Anúbis e diligências da PCDF

A apuração dos fatos integra a chamada Operação Anúbis, nome que faz referência ao deus associado à morte na mitologia egípcia. Desde 11 de janeiro de 2026, a Polícia Civil cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em locais ligados aos envolvidos, incluindo residências em Taguatinga, Brazlândia e no entorno do Distrito Federal.

A segunda fase da operação, deflagrada em meados de janeiro, resultou em prisões adicionais e na coleta de novos dispositivos eletrônicos usados para reconstruir as ações dos suspeitos.

Posicionamento do Hospital Anchieta

O Hospital Anchieta informou que, ao identificar circunstâncias atípicas nos óbitos ocorridos na UTI, instaurou um comitê interno de análise para apurar as causas e reunir elementos factuais. O material obtido pela comissão foi encaminhado às autoridades competentes, com pedido de instauração de inquérito policial e medidas cautelares contra os responsáveis.

Em nota, a direção afirmou que colabora integralmente com as investigações, manteve contato com as famílias das vítimas e ressaltou que o caso tramita sob segredo de justiça, o que inviabiliza a divulgação de detalhes mais específicos sobre a apuração.

Impacto e repercussão

O caso provocou forte repercussão no Distrito Federal e em órgãos de saúde e vigilância sanitária, que acompanham com atenção a investigação em curso. Famílias das vítimas manifestaram indignação e dor, destacando que a UTI — ambiente que deveria oferecer cuidado máximo — acabou sendo cenário de suspeitas de condutas criminosas graves.

Além disso, a polícia não descarta a possibilidade de novas vítimas, uma vez que os investigados haviam trabalhado em outras unidades de saúde do DF antes de atuarem no Hospital Anchieta.

Em Síntese

As mortes ocorridas no Hospital Anchieta entre novembro e dezembro de 2025 chamam atenção para a importância da segurança do paciente e da vigilância rigorosa de práticas clínicas em unidades de saúde. A investigação já resultou em prisões e continua a buscar esclarecer completamente os fatos, com potencial de revelar um padrão de atuação irregular que vai além dos três casos já identificados.

📌 Mortes no Hospital Anchieta: o que esse caso nos ensina

  • Exija transparência e rastreabilidade em processos hospitalares, especialmente em UTIs.

  • Valorize protocolos de segurança do paciente, como dupla checagem de medicamentos e controle rigoroso de acesso a substâncias.

  • Incentive a cultura de notificação de eventos adversos sem medo de punição.

  • Questione condutas atípicas e mudanças súbitas de quadro clínico — silêncio também mata.

  • Acompanhe investigações oficiais e cobre melhorias estruturais e de fiscalização nos serviços de saúde.

👉 Segurança do paciente não é opcional. É obrigação ética, legal e humana.

📚 Fontes e referências

  • G1Veja a cronologia das mortes suspeitas de três pacientes no Hospital Anchieta no DF (19/01/2026).

  • Polícia Civil do Distrito Federal — Inquérito e Operação Anúbis.

  • Ministério da Saúde — Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP).

  • Anvisa — RDCs sobre segurança do paciente e boas práticas em serviços de saúde.

  • Organização Mundial da SaúdePatient Safety Framework.

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