PCR de alta sensibilidade (hs-PCR) porque ela passou a ser um marcador-chave de risco cardiovascular além do LDL

Entenda como a inflamação sistêmica mudou a forma de avaliar o risco de doenças cardíacas

06/01/2026

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Tradicionalmente, a avaliação do risco cardiovascular se concentrou no nível de colesterol LDL (“mau colesterol”), um dos principais fatores ligados ao desenvolvimento de aterosclerose e doença arterial coronariana. No entanto, com a expansão de pesquisas científicas nas últimas décadas, um novo protagonista ganhou espaço na avaliação de risco de doenças cardíacas: a proteína C-reativa (PCR), especialmente na sua forma de alta sensibilidade (hs-PCR).

A PCR é um marcador de inflamação sistêmica produzido pelo fígado em resposta a processos inflamatórios no corpo. A inflamação desempenha um papel central na formação, progressão e instabilidade das placas ateroscleróticas, o que explica o interesse crescente em mensurar essa proteína para prever eventos cardiovasculares.

Inflamação e aterosclerose: o elo que mudou a avaliação de risco

Por muito tempo acreditou-se que o acúmulo de colesterol nas artérias fosse um processo passivo. Hoje, sabe-se que a aterosclerose é um processo ativo e inflamatório, onde moléculas inflamatórias como a PCR estão presentes em diferentes estágios da doença.

Valores elevados de PCR, mesmo quando o colesterol LDL está em níveis considerados “normais”, refletem inflamação de baixo grau no sistema vascular, que pode predispor à formação de placas vulneráveis e eventos agudos, como infarto do miocárdio e derrame.

PCR versus LDL: não é exclusão, mas ampliação da avaliação

Estudos clássicos comparativos mostram que a PCR tem forte poder preditivo de eventos cardiovasculares, muitas vezes adicionando informações que o LDL sozinho deixa passar. Por exemplo, análises indicam que níveis elevados de PCR podem identificar risco elevado em indivíduos com LDL normal, capturando um grupo de alto risco que poderia ser ignorado se apenas os lipídios fossem considerados.

Além disso, o uso combinado de PCR e LDL oferece uma avaliação mais completa, pois cada marcador reflete aspectos distintos do risco: o LDL reflete a propensão à formação de placas lipídicas e a PCR reflete atividade inflamatória contínua nos vasos.

Como a PCR é medida

O exame utilizado para avaliar risco cardiovascular é a PCR de alta sensibilidade (hs-PCR), que detecta pequenas elevações no sangue, mesmo dentro da faixa normal, sugerindo inflamação crônica silenciosa.

Os resultados podem ser interpretados assim:

  • < 1 mg/L: baixo risco cardiovascular;

  • 1–3 mg/L: risco moderado;

  • > 3 mg/L: risco elevado de eventos cardíacos.

Esses valores ajudam médicos a refinar o risco individual, especialmente em pacientes com fatores de risco intermediários.

O que as diretrizes mais recentes sugerem

Organizações de referência em cardiologia estão cada vez mais reconhecendo o papel da inflamação na doença cardiovascular e indicando que a medição da PCR pode ser útil como parte da avaliação global de risco. Alguns grupos clínicos sugerem que o rastreamento de PCR, juntamente com a avaliação tradicional de colesterol, ajuda a identificar indivíduos previamente classificados como “baixo risco” que, na verdade, estão em maior risco inflamatório.

Inflamação e outros fatores de risco

A PCR também se correlaciona com outros fatores de risco cardiometabólicos, como obesidade, diabetes e síndrome metabólica, que possuem componentes inflamatórios em sua fisiopatologia.

Além disso, estudos mostram que mesmo quando o LDL está adequadamente controlado com estatinas, níveis elevados de hs-PCR podem persistir e continuar associados ao risco cardiovascular, o que reforça a importância de olhar além do colesterol.

Em Síntese: uma visão mais ampla do risco cardíaco

O avanço no entendimento da inflamação como componente central da doença cardiovascular impulsionou a PCR para uma posição de destaque como marcador de risco. Ela não substitui o LDL, mas complementa a avaliação de risco, oferecendo uma visão mais abrangente da saúde cardiovascular — especialmente em pessoas cujos níveis tradicionais de lipídios não revelam todo o risco.

📌 Uma avaliação cardiometabólica eficiente hoje inclui tanto os marcadores tradicionais de lipídios quanto os marcadores de inflamação, como a PCR de alta sensibilidade.

📌 PCR e risco cardiovascular: o que fazer na prática

  • Converse com seu médico sobre a solicitação da PCR de alta sensibilidade (hs-PCR), especialmente se você tem fatores de risco cardiovascular.

  • Não avalie o risco cardíaco apenas pelo colesterol LDL — inflamação também conta.

  • Mantenha hábitos que reduzem inflamação: alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso e do estresse.

  • Controle doenças associadas, como diabetes, obesidade e hipertensão, que elevam a inflamação sistêmica.

  • Interprete a PCR sempre no contexto clínico, evitando exames isolados ou automedicação.

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Fontes e leituras adicionais

  • Estudo clássico mostrando que PCR pode ser mais preditiva de eventos cardiovasculares do que LDL. New England Journal of Medicine

  • Revisões sobre o papel da PCR como biomarcador de risco independente e adicional. PMC

  • Informações sobre como hs-PCR reflete inflamação e risco cardiovascular. The Cardiology Advisor

  • Discussões sobre o uso combinado de LDL e PCR para melhor estratificação de risco. PMC

A inflamação silenciosa também aumenta o risco cardiovascular